A pregação do evangelho é uma atividade completamente
distinta do ativismo. É baseada na fé em Jesus Cristo, tem como
objetivo a salvação de almas, a transformação de vidas e tem a ver com o
Reino dos Céus. O ativismo evangélico, ou qualquer outro, é baseado em
posições políticas e tem como finalidade a defesa de ideologias,
interesses de pessoas e de grupos políticos: é algo do reino da terra.
Mostrando o desapego e a independência do Reino dos Céus e do reino da
terra, Jesus disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é
de Deus”. Mateus 22:21.
Jesus Cristo também disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. Marcos 16:15.
Por si só, percebe-se que esta mensagem não é um chamamento para o
ativismo, mas para a pregação. Quando Jesus mandou que fôssemos por todo
o mundo, ele sabia que estava mandando também para lugares onde não
teríamos cidadania, ou não seríamos bem recebidos, mas, ainda assim,
deveríamos pregar. Mais do que isso, o Senhor Jesus disse: “Então vos
hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis
odiados de todas as nações por causa do meu nome”. Mateus 24:9. Jesus
Cristo deu a dica. Trata-se de uma tremenda ignorância desprezá-la. Por
conta disso, fica evidente que a pregação do evangelho está associada a
um confronto de posições que não agradam as pessoas que não querem
rejeitar o pecado.
No meio do ativismo evangélico, ocorrem coisas
semelhantes ao que sucede em todos os grupos políticos e que não podem
ser atribuídas ao Evangelho. Neste caso, o nome evangélico ganha uma
conotação de agregação de forças para fortalecer líderes que, no momento
seguinte, sairão em defesa dos interesses que os convier. Dadas as
contradições entre os frutos do evangelismo e do ativismo, os
arregimentados para um movimento ativista, achando tratar-se de uma
atividade evangelística, poderão ser frustrados.
Os que forem desavisados com relação à diferença
entre evangelismo e ativismo poderão ter suas expectativas frustradas e
terão o sentimento apontado no texto: “Nesse tempo muitos serão
escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se
odiarão”. Mateus 24:10. Como a política trabalha com interesses, os que
pretendem propagar o Evangelho devem distinguir a diferença entre as
atividades evangelística e política, para que não se envolvam em uma
coisa usando a lógica de outra e se tornem instrumentos de manipulação
alheia.
Os que têm a mente voltada para a política sabem
lidar com estas situações com naturalidade, pois vivem em um mundo que
cuida vigorosamente de interesses, muitas vezes dos próprios, mas
tentando passar a ideia que estão cuidando do interesse coletivo. Neste
aspecto, não é preciso ir muito longe para perceber o foco das pessoas.
Basta seguir outro conselho dado por Jesus: “Portanto, pelos seus frutos
os conhecereis”. Mateus 7:20.
A verdade é que uns buscam as almas, outros, seus
interesses e outros, os votos. Nada impede de que os que buscam as
almas, também busquem votos. Neste cenário, é importante que os
comportamentos sejam bem distintos. A busca por votos e por alianças
políticas não pode ser confundida com o objetivo evangelístico. As
pessoas devem aproveitar as oportunidades de fazerem as suas escolhas e,
com isso, não serem usadas politicamente por quem quer que seja. O que
for focado no Reino dos Céus não deve se misturar com o que for baseado
no reino da terra. A atividade evangelística e a política devem ser
definidas de forma clara para que todos saibam que tipo de proposta
estão aceitando.
Não me oponho a qualquer forma de ativismo sadio,
respeitando a legislação brasileira, mas não gostaria que houvesse, por
exemplo, recursos públicos para patrocinar ativismo de evangélicos. Isto
porque, além de contemplarem uns líderes em detrimento de outros,
promovendo a divisão, em nada contribui para a pregação da Mensagem da
Cruz. É um exemplo para que outros grupos, ainda não contemplados com
recursos públicos para a defesa de suas causas, possam exigir os mesmos
direitos. Jesus não nos chamou para sermos ativistas, mas pregadores do
evangelho. Os que apreciam a atividade ativista, podem exercê-la, mas
não devem se esquecer que a pregação não é um discurso, mas uma mensagem
que deve passar, necessariamente, pela Cruz de Cristo, por
arrependimento, perdão e salvação.
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